quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Eu odeio Helvetica

Antes de começar queria parabenizar todos os bixos que brotam essa época do ano, principalmente os bixos ecanos, vocês vão ver a ECA é um lugar muito especial, e queria parabenizar mais ainda aqueles que tiveram que me aguentar enfiando tinta nas suas orelhas. Agora vamos ao assunto principal Mal escrevi o título desse post e já sinto que dezenas de pessoas querem me matar, mas eu tenho meus motivos para odiar esse typeface tão famoso. Mas antes de começar a descer a lenha nela vamos ao pequeno histórico.

A Helvetica é uma fonte não serifada de ótima legibilidade criada por Max Miendiger em 1957 inspirada em outra família realista chamada Akzidenz Grotesk. Sua origem esta intimamente relacionada com os ideias da escola de design suíça e com um universalismo criado pelo trauma que envolveu as questões étnicas no decorrer da Segunda Guerra Mundial.


Bem até aqui não a nada que se possa dizer de ruim dessa família tipográfica, tem ótima legibilidade suas linhas são consideradas modernas por muitos até hoje serviu na recuperação da Europa pós-guerra como uma tipografia apaziguadora e depois de 50 anos continua jovial e útil para qualquer situação.


Essa história imponente e sua adoção por 9 entre 10 designers esconde seu problema. A Helvetica é entediante!!! Seu conceito de ser universal sem barreiras ou restrições a torna inexpressiva. Poderíamos chama-la de fonte pato: anda mal, voa mal e nada mal.


Acho que sua utilização se deve ao comodismo já que apesar dela não ser perfeita para nada também não de todo ruim para qualquer coisa. Mas acho que eu assim como qualquer outro designer ou artista está procurando o state of the art e não o mediocre então abandonai-vos também essa família picolé de chuchu e procurai-vos alguma fonte melhor (entre minhas sugestões de sans serif estão: Bauhuas, Frutiger, Futura, Gill Sans, Optima, Seria Sans)



Além disso ela também é filha de uma miscelânea estética incrível pois apesar de ter como estética o futurismo geométrico ela tem como base uma tipografia realista. “Ahn?! Não entendei” Nem eu; talves isso seja uma expressão pós moderna do fim do tempo e um manifesto contra uma prisão aos moldes modernos que nos impedem de pensar de forma puramente lógica, ou talvez seja uma idéia de gerico mesmo


Em resumo Helvetica é aquela menina de mais ou menos um metro e sessenta com cabelo castanho ondulado nem feia nem bonita que todo mundo já ficou um dia na vida mas passou batido. Nada contra mas você nunca pensaria em ver ela em um outdoor (um minuto de silêncio pelo extermínio deles aqui em sampa). A tipografia tem que não apenas transmitir a mensagem, mas fazer parte de seu conteúdo e a Helvetica em o seu imenso vazio estético e simbólico não faz nada além de servir como um veiculo insonso.


Então aqui vai o aviso: para aqueles que trabalham com tipografia pensem antes de adotar as soluções pré-estabelecidas, inovem, arrisquem e façam a diferença; já aqueles que só entenderam do que eu estava falando quando viram a palavra fonte pensem q ela faz diferença sim e procurem pelo menos informações por mais básicas que sejam sobre elas, afinal com a invasão do computador o caderno de caligrafia devia ser substituido pelo livro de tipografia.


Ps: Pelamordedeus ou qualquer outra entidade extra planar a sua escolha Arial é uma gambiarra para o Bill Gates inserir a Helvetica no Windows sem pagar então se eu consegui te convencer de abandonar a Helvetica abandone também a Arial
Ps 2: Alguem já teve problemas no PC por deletar Comics Sansm Papyrus, e essas duas ai de cima?

Pra finalizar mesmo aqui vai video que acabei de ver no you tube sobre fontes cliché: http://br.youtube.com/watch?v=t87QKdOJNv8

Um comentário:

Anônimo disse...

Times New Roman e alinhamento centralizado também estão no auge dos clichês.

Idéias interessantes, um abraço



Ricardo
ricardohc_@hotmail.com